Featured

8/Destaques/custom

O inacreditável Fusca de dois motores dos irmãos Fittipaldi

POR 25.7.18


Digamos que você voltou no tempo. Está em 1969 e só tem 60 dias para transformar seu Fusca 1300 num foguete para andar na frente de Ford GT40 e Lola T70 – dois dos mais respeitados carros da categoria esporte-protótipos de então.

Sem a ajuda mágica de alguém como Jeannie – do seriado de TV Jeannie É um Gênio, um hit dos anos 60 –, isso pareceria impraticável. Mas não foi assim que pensaram o piloto Wilson Fittipaldi Junior e o engenheiro Ricardo Divila. Eles encararam o desafio e conseguiram o que parecia impensável.

O Fusca pilotado pelos irmãos Emerson e Wilsinho obrigou os ”figurões” importados a engolir poeira na pista de Jacarepaguá. Depois de se classificar para a largada em segundo lugar e andar meia hora na frente dos monstros, o VW acabou quebrando o câmbio e saindo da prova.

No entanto, já havia roubado a cena, humilhado os rivais e deixado uma marca na história do automobilismo nacional.



Naquele final dos anos 60, Emerson já corria na Europa e aproveitaria o intervalo das temporadas de Fórmula 3 para participar de algumas provas realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

“Estávamos sem carro para competir”, diz Wilsinho. “Tínhamos começado um projeto e o Ricardo estava trabalhando no protótipo que levaria mecânica do Alfa GTA. Mas não ficaria pronto a tempo.”

O carro levaria mais de ano para chegar às pistas e dois meses era o prazo que o calendário das provas dava aos irmãos Fittipaldi para providenciarem um bólido competitivo.“Além de rápido, com boa aceleração, o carro tinha que ser barato, pois não tínhamos dinheiro para trazer um GT da Europa.”

Essa limitação praticamente encaminhou a escolha do motor para um Volkswagen.“Tínhamos tudo o que havia dessa mecânica e, naquela época, éramos os únicos no Brasil a produzir os kits 1600”, diz Wilsinho.

O maior motor VW na época era o 1300. Nosso 1600 preparado, com taxa alta, comando bravo, carburação Weber 48 e coletores especiais, chegava ao redor dos 130 cavalos – um bom número para a época. Mas ainda estava longe da relação peso/potência à altura dos GT.

“Pensamos então num motor 2 litros. Ponderei que, para atingir essa cilindrada, teríamos que mudar curso de virabrequim, camisas, pistões – e com tudo isso o bloco não aguentaria. Ia ser explosão na certa.”

Oito cilindros

Diante do desafio, com a ousadia própria dos jovens de pouco mais de 20 anos, alguém sugeriu: “E se, em vez de um, fossem usados dois motores?”

Depois do espanto geral, veio a lembrança do Auto Union construído antes da Segunda Guerra Mundial. O carro foi feito para quebrar o recorde de velocidade numa das novas Autobahn, ideia incentivada por Hitler para ser usada como propaganda. O carro tinha dois motores V8, centrais, com virabrequins simplesmente aparafusados um ao outro.

Pois a mesma ideia foi aproveitada pela equipe Fittipaldi. Mas, para evitar contragolpes ou vibrações de um motor refletindo no outro, uma junta de borracha fazia a intermediação.




Graças à transformação para bimotor, o carro passou a ter oito cilindros justapostos, que desenvolviam de 250 a 260 cv (Klaus Ludwigsen Library/)

Os escapes foram todos reunidos numa só saída, o que produzia um ronco “ma-ra-vi-lho-so!”, nas palavras de Wilsinho. “Aquilo urrava que era uma beleza, parecia um Porsche.”

O resultado dessa junção foi um motor de oito cilindros contrapostos que desenvolvia de 250 a 260 cavalos. Para empurrar um Fusca com 500 quilos, seriam 2 quilos por cavalo, uma relação peso/potência na medida para encarar os esporte-protótipos, que pesavam entre 800 e 900 quilos com motores de 400 a 450 cavalos.




Enquanto era discutida a montagem do motor, outra questão igualmente urgente era estudada por Wilsinho, Divilla e Nélson Brizzi, um dos papas dos motores de competição daqueles tempos: como desenvolver um chassi em tão pouco tempo?

Dessa vez a iluminação veio da experiência na construção dos monopostos de Fórmula V (que utilizavam mecânica Volkswagen e integravam uma categoria de entrada no automoblismo de competição).

Um chassi de Fusca foi serrado logo atrás do piloto. Dali para trás, foi ancorado um chassi tubular na plataforma original do carro. Nele foi montada uma suspensão traseira dos Fórmula V, com semi-eixo, molas espirais e amortecedores telescópicos. Na dianteira foi mantida a suspensão original do Fusca.

Freios do Porsche histórico

Para segurar a cavalaria reunida, tiveram de recorrer aos freios de um antigo Porsche Spyder, que jazia abandonado numa oficina. Mas não era um Spyder qualquer, se é que se pode falar assim de um Porsche. Segundo Wilsinho, o nobre doador foi o carro pilotado por Hans Stuck, na Gávea, na década de 50.

Dele também foram aproveitados o câmbio de cinco marchas, invertido – pois o Spyder tem motor central –, e a caixa de direção. Dois radiadores de óleo instalados na frente completavam a configuração básica da máquina.



Na hora de embalar aquela ousadia toda, nem todos os problemas tiveram solução planejada. Como, por exemplo, arrefecer a temperatura dos motores se as ventoinhas haviam sido eliminadas para aliviar o trabalho do equipamento?

“Eram oito cilindros para refrigerar. Colocar os oito scoops [tomadas de ar] para fora do carro provocaria um tremendo arrasto aerodinâmico”, diz Wilsinho. Durante muito tempo, procurou-se em vão pela solução. A resposta para o enigma surgiu quando ele estava sentado no banco do piloto, para ver a posição do volante.

Ao olhar para o espaço onde residia o pára-brisa, que ainda não havia sido colocado, mandou: “Ricardo, e se a gente inclinar o pára-brisa e fizer um fundo falso por baixo do teto?” Idéia aprovada, foi feita uma caixa de captação de ar de onde saíam as oito bocas que, por meio de tubos, ventilavam os cilindros.

Havia chegado, enfim, o momento. No dia do primeiro teste em Interlagos, ainda usando pneus finos, os Cinturatto da Pirelli, o carro conseguiu impressionar bem: “Deu para ver que ele empurrava uma barbaridade. A estabilidade era satisfatória, pois motor central sempre dá boa coisa. Quando chegaram os pneus Dunlop de competição e os colocamos nas rodas de 8 polegadas na frente e 10 atrás, aí sim o carro grudou no chão pra valer”.

Wilsinho conta como era pilotar o bimotor, num tempo em que os traçados de Interlagos e Jacarepaguá eram bem diferentes dos dias de hoje: “Nosso carro tinha uma primeira bastante longa, o suficiente para fazermos a Curva do Bico de Pato, a mais travada de Interlagos. No fim do retão, calculo que chegávamos a 220 km/h. O carro andava muito, tinha um tremendo torque. A Curva do Sol nós fazíamos totalmente de lado, controlando no acelerador, pois esse era o jeito de fazer tempo com o carro; esse era o jeito dele”.

No Rio de Janeiro, onde o carro disputou a prova 1.000 Quilômetros de Jacarepaguá, o circuito era mais travado do que é hoje. A reta não mudou, mas o miolo era diferente. Na tomada de tempos, o Fitti, nas mãos do Wilsinho, ficou em segundo lugar. Na frente do GT40 do José Moraes e do Lola T70 do Marcelo de Paoli e só atrás do Alfa T33 do José Carlos Pace, o Moco. “Largaríamos na primeira fila! E ao lado do Alfa!”

Todos atrás de um Fusca

Segundo Wilsinho Fittipaldi, ninguém acreditou naquilo que estava acontecendo. “Foi bem engraçado: trouxeram os melhores carros do mundo e largaram atrás de um Fusca… Eles não gostaram muito, não; ficaram meio invocados”, diz, divertindo-se enquanto recorda.

“Na corrida, como a primeira marcha era longa, o Émerson perdeu uma posição logo na largada. Mas, depois que afinava a primeira, as outras marchas vinham próximas e o carro acelerava que era uma barbaridade. Na quinta volta recuperou a posição e manteve-se em segundo por uma meia hora, mais ou menos, andando sossegado na frente da Lola e do GT40, só permanecendo atrás mesmo do Moco, no Alfa.”

O piloto Lian Duarte foi testemunha do desempenho do Fitti 3200. Participava da corrida ao volante de um Puma com motor preparado de 2.000 cm3. Com ele, Lian chegava ao fim da reta de Jacarepaguá a uns 180 ou 190 km/h. “Mesmo assim, o Emerson me passava feito um rojão.”

A quebra do câmbio do Fitti acabou por tirar de cena o astro daquele espetáculo surreal em Jacarepaguá. Mas, àquela altura, o grande feito do Fusca de dois motores já havia ficado registrado na história. E na memória de quem teve a felicidade de assistir a tão surpreendente desempenho.





* Reportagem publicada na QUATRO RODAS Clássicos de janeiro de 2004






Fusca de Cinema: Elvis + Fusca em Canções e Confusões (1967)

POR 13.7.18


Double Trouble (no Brasil, Canções e Confusões), é um filme de comédia romântica de 1967, dirigido por Norman Taurog e protagonizado por Elvis Presley.

SINOPSE: Em turnê pela Europa, o cantor Guy Lambert (Elvis Presley), passa por inúmeros problemas quando conhece Jill Conway (Annette Day), uma orfã que é muito fã do cantor. Jill faz Guy se meter em várias situações como espionagem e furtos de jóias.

O filme se passa em Londres, porém, foi filmado na Califórnia. Seu enredo combinou espionagem com discoteca, coisas que estavam em alta na época.

Foi o primeiro e único filme da jovem Annette Day. Presley lhe deu de lembrança um Mustang branco no último dia das filmagens. Mais tarde, ela daria o presente ao seu irmão.

Presley não estava tão contente com os rumos de sua carreira de ator, por isso, surtou quando os executivos lhe avisaram que ele teria que cantar "Old MacDonald". Ele só se acalmou quando disseram que a música não seria incluída na trilha sonora. No fim das contas, ela foi.






No filme Elvis dirige um fusca 1964 Deluxe (modelo alemão fabricado nos EUA) ele pode ser visto em frente a uma delegacia de polícia, enquanto outro Fusca de 1964, assim como um Fusca de 1963, participa como carros de rua em movimento.

Veja a cena:


Poster Original do Filme:


FONTE: Wikipédia



Conheça o Fusca que é uma floricultura ambulante

POR 12.7.18

A curitibana Cristiana Prante trabalhava como designer de produto quando decidiu que era hora de fazer algo diferente. Num período de insatisfação profissional, Cristiana, que sempre gostou do universo das flores, resolveu fazer um curso de arte floral em Holambra, SP.

Na volta à Curitiba e com uma vontade imensa de empreender, ela pensou em abrir uma floricultura. Mas não queria cair no modelo tradicional, sem falar no alto investimento que uma loja exige. Foi então que olhou para dentro da garagem da sua família e teve uma ideia: porque não criar um “fusca flower”? E assim surgiu a Florista Viajante, um projeto criativo e romântico que inspira por onde passa.

Foto: © Carolina Ritzmann

Foto: © Carolina Ritzmann

Cristiana montou sua floricultura, onde vende seus charmosos arranjos e buquês, num fusquinha verde que sua mãe ganhou do seu pai quando estava grávida dela, há 28 anos. Com ele, a curitibana participa de encontros de food truck e outros eventos, além de ter um ateliê onde monta os arranjos sob encomenda e desenvolve uma coleção de vasos para a marca, não tendo assim abandonado a antiga profissão de designer de produto.

A florista conta ainda que queria fazer algo em que acreditasse e que fosse realmente inspirador. Conseguiu!

Foto: © Carolina Ritzmann
Foto: Venâncio Filho Fotografia




FONTE: Hypeness 




Estudante na Nigéria constrói fusca movido à energia solar e eólica.

POR 12.7.18

O nigeriano Segun Oyeyiola conseguiu fazer algo extraordinário: um Fusca feito de sucata movido à energia solar e eólica, elaborado com menos de 6 mil dólares.Lembra do fusca elétrico x? Utilizando o mesmo conceito, o nigeriano Segun Oyeyiola conseguiu fazer algo extraordinário: um Fusca feito de sucata movido à energia solar e eólica, feito com menos de 6 mil dólares.

O estudante de engenharia da Universidade Obagemi Awolowo, na Nigéria, passou um ano adaptando os materiais doados por amigos e familiares no veículo sustentável. Ele teve esta ideia após se conscientizar mais sobre as emissões de dióxido de carbono, que prejudicam gradualmente o clima, os ecossistemas e a agricultura. Sendo assim, seu projeto pessoal visa mudar o mundo e, quem sabe, salva-lo à longo prazo.

O carro ainda vem com um GPS que ajuda a monitorar seu funcionamento. O projeto é uma ótima solução para o mercado, pois se sustenta com base nos recursos naturais, sendo que a junção de ambas energias, solar e eólica, se complementam. O painel solar fica no topo do Fusca, enquanto a turbina eólica fica sob o capô.

Dr. John Preston, diretor do departamento de Engenharia Física da Universidade de McMaster e orientador acadêmico para a equipe de carro solar da escola, diz que nunca viu nada parecido engenhoca de Oyeyiola, que também vem com um aplicativo de GPS que monitora a saúde do carro. “Se você pudesse encontrar uma maneira de usar tanto a eólica ea solar no mesmo veículo, que seria uma coisa maravilhosa”, disse ele. “Usando a eólica e a solar significa que você não tem que dirigir apenas durante o dia. Se ele figurou uma maneira de fazê-lo, isso seria bastante notável.”




Não só Oyeyiola instalar um painel solar gigante no topo do Beetle; Ele também inseriu uma turbina eólica sob o capô. Como explica Preston, que permite que o ar flua para a grade, enquanto o carro está em movimento, posteriormente transformando rotores da turbina e carregar a bateria na parte de trás do carro. Oyeyiola também construiu um forte sistema de suspensão para lidar com o peso da própria bateria.

Não é perfeito. A bateria leva de quatro a cinco horas para carregar, mas Oyeyiola diz que está trabalhando nisso. Os maiores desafios, segundo ele, veio de encontrar os melhores materiais a utilizar, e as pessoas dizendo que ele estava perdendo tempo.

Essa última parte não parece que vai parar Oyeyiola, que quer criar carros a energia solar e energia eólica que se aproveitam do clima quente da Nigéria, ensolarado. Quando lhe pergunto o que vai acontecer com o carro depois que ele termina seus últimos finais em 15 de maio, sua resposta é simples e direta: “Manter a melhorar nele, até que se torne carro do futuro da Nigéria.”

O estudante de engenharia da Universidade Obagemi Awolowo, na Nigéria, passou um ano adaptando os materiais doados por amigos e familiares no veículo sustentável. Ele teve esta ideia após se conscientizar mais sobre as emissões de dióxido de carbono, que prejudicam gradualmente o clima, os ecossistemas e a agricultura (o que em um país com carências, como a Nigéria, se torna prejudicial à vida das populações). Sendo assim, seu projeto pessoal visa mudar o mundo e, quem sabe, salvá-lo a longo prazo.




O carro ainda vem com um GPS que ajuda a monitorar seu funcionamento. O projeto é uma ótima solução para o mercado e se encaixa perfeitamente no clima quente de seu país, pois se sustenta com base nos recursos naturais, sendo que a junção de ambas energias, solar e eólica, se complementam; na falta de uma, utiliza-se a outra. O painel solar fica no topo do Fusca, enquanto a turbina eólica fica sob o capô.

Claro que o Fusca de Oyeyiola ainda necessita de alguns ajustes, como por exemplo na bateria, que ainda leva entre quatro e cinco horas para ser carregada e a procura por materiais melhores do que as sucatas. Mas o ambicioso engenheiro pretende chegar lá e, aos poucos, consolidar o modelo como o carro do futuro da Nigéria.


FONTE: Hypeness

Palhaço viaja 15 mil km de Fusca pelo Brasil para levar teatro e cinema a pequenas comunidades

POR 18.5.18

Rafael Trevo dividiu aventura com a companheira, Lelê. Antes, ele havia pedalado por um ano de São Paulo ao Ceará. Atualmente, ele mora em uma Kombi.

Esta é uma daquelas histórias que poderiam virar roteiro de cinema. Um palhaço e sua companheira colocam tudo o que podem dentro de um Fusca 1964 e partem em uma viagem de 15 mil quilômetros Brasil a dentro. O objetivo? Exibir filmes e apresentar espetáculos de teatro em cidades do interior.

Só que este é apenas um trecho da aventura que começou em cima de uma bicicleta. Em dezembro de 2012, o artista Rafael Trevo – ou palhaço Trevolino – abdicou do conforto na casa da família, em São Paulo, para provar que poderia viver de arte. O primeiro desafio foi pedalar cerca 2.800 quilômetros até a cidade da bisavó, no interior do Ceará.

Olha Que Legal: Palhaço viajou 15 mil km de Fusca para levar teatro e cinema pelo Brasil

No meio do caminho, mais precisamente em Brasília, ele conheceu a arquiteta Letícia Marins, que viria se tornar sua companheira e parceira de trabalho. Naquela época, no entanto, ele não fazia ideia de que Lelê seria a maior incentivadora da profissão que ele acabava de adotar como estilo de vida.

O Cine Fusca

Com Letícia, Trevo criou a Cia. da Sorte – de teatro, circo e palhaçaria – e planejou a viagem dentro do Fusca que se transformou em um projeto de exibição de filmes em regiões desassistidas, o Cine Fusca.

Hoje o "possante", apelidado de Ventura, faz do Distrito Federal sua garagem oficial e deve circular pela cidade até o final do ano antes de voltar para a estrada.


Mas para entender melhor essa história de Cine Fusca, vamos voltar de novo no tempo, lá para 2012, quando Trevo saiu de casa. Com apenas R$ 150 no bolso, coragem de sobra, um pouco de sorte e a vontade de mostrar que era possível viver de arte – sozinho – ele se despediu dos pais e do irmão mais novo.

O artista lembra que montou na bicicleta que seria sua amiga inseparável por todo o ano seguinte, e partiu. Era 31 de dezembro. "Além do teatro, eu descobri que tinha a função de levar coragem para as pessoas também", disse ele ao G1.

"Quando você vai atrás do seu sonho, incentiva o outro a fazer a mesma coisa."

De São Paulo a Brasília

Os 470 quilômetros que Trevo percorreu de São Paulo até Brasília em cima da bicicleta têm seu valor na trajetória artística do palhaço, mas a história que ele escreve até hoje só começou mesmo na capital federal. No gramado da Funarte, em 2013, ele conheceu Letícia.

"Me chamaram pra participar do Circo Inventado e ela foi assistir. Eu tava vestido de mago e, depois do espetáculo, encontrei ela sozinha e perguntei qual número tinha gostado mais. Ela respondeu que tinha sido o mago e, aos poucos, foi reconhecendo que era eu."

"Depois, minha maior crise foi ter que ir embora."

Na queda de braço mental entre ficar ou seguir viagem, o plano original venceu. O artista seguiu viagem e os amores foram passageiros na garupa daquela bike, que só tinha espaço para Trevo e uma mochila.

Pandeiro e poesia no sinal

Cerca de quatro meses depois e 2 mil quilômetros pedalados, no entanto, uma ligação de Lelê abriu um novo caminho na história.

"Quando cheguei em João Pessoa, ela me ligou, perguntou onde eu tava e disse que ia me encontrar. Aí eu respondi: já que você vem, traz um pandeiro e uma poesia decorada", recorda o artista.

"A arquiteta saiu de Brasília pra ir trabalhar no sinal."

Em dez dias de visita, Lelê e Trevo fizeram palhaçadas, intervenções urbanas, malabarismos, recitaram poesias, passaram por semáforos, calçadas, bares e esquinas. "Ai ela voltou pra Brasília e a gente decidiu que iria viajar juntos no ano seguinte."



No Ceará, o encontro com a bisavó

Trevo seguiu viagem e no dia 15 de novembro de 2013 e chegou ao destino traçado inicialmente: Itapipoca, no interior do Ceará, cidade da bisavó. "Ela foi ver minha apresentação na praça. Foi a realização do meu sonho", diz o artista.

"Ela dizia: meu filho, parabéns, você é um ótimo artista."

"Um ano pareceu dez pelo tanto de gente que conheci, coisas que vivi", disse ao G1. "A bike e o Fusca abrem muitas portas, porque você fugir do tradicional é muito louco. Na verdade, as pessoas querem isso, só não têm coragem."

"Ali eu vi o melhor do ser humano, gente que me deu uma cama pra dormir, que dividiu o pouco de comida que tinha comigo. Um desconhecido que me colocou dentro da casa dele, ofereceu banho, rango."

Missão cumprida, o palhaço – agora graduado pela estrada – voltou para a casa da família de avião. Desmontou a bicicleta e começou a planejar a próxima aventura. E é neste ponto que o Fusca entra em cena.

Cinema, teatro e casa

Comprado com as economias de um ano de trabalho, R$ 5 mil, o Fusca estava parado na garagem da família de Trevo desde os 19 anos. Ao lado de Lelê, o artista fez um financiamento coletivo na internet e conseguiu arrecadar R$ 7 mil.

O dinheiro foi suficiente para financiar o sonho: caixa de som, estrutura e cortinas de teatro, barraca de dormir, projetor, telão, logo e adesivos da companhia que começaria as atividades em breve. O caminho a percorrer seria o mesmo.


"Fazer o mesmo trajeto revendo os amigos que eu tinha feito. A galera que tinha me visto de bike, me veria com um Fusca e uma patroa", contou com ar de graça.

"Saímos com o Fusquinha abarrotado de coisas no dia 25 de fevereiro de 2014."

O plano era fazer a viagem em 4 meses, mas durou o ano inteiro. "Na primeira cidade, em Piraçununga, eu me apresentei sozinho. Logo na segunda cidade, a Lelê entrou em cena e foi um marco. Dali pra frente nosso espetáculo virou uma obra de arte."

"Foram 15 mil quilômetros, 13 estados e mais ou menos 80 cidades."

De um lado do Fusca, cortinas vermelhas de teatro. Do outro, um telão branco para exibição de filmes. Assim, com toda a parafernalha no banco de trás e em cima do carro, o casal percorreu estradas dos recôncavos brasileiros e visitou pequenas comunidades.


No interior do Brasil, Trevo e Lelê procuravam por alguém que trabalhasse com cultura para autorizar os espetáculos. Podia ser o prefeito, um secretário, a professora da escola ou a única que dava aulas de balé na região.

"Sempre ia na rádio pra conseguir divulgação. Nas cidades pequenas você é a atração e a acolhida é muito mais calorosa."


À base de trocas

Durante um ano, Trevo e Lelê viveram com a ajuda de moradores para tomar banho, comer e esticar as pernas de vez em quando.

"Essa viagem me transformou como ser humano. Eu tive que viver um ano com o que cabia na bike e depois em um Fusca. Então, minha forma de consumir mudou", diz ele.


Hoje, Trevo vive dentro de uma Kombi estacionada no terreno da chácara de uma amiga no Lago Oeste, em Brasília. Ao lado, debaixo de uma tenda, fica estacionado o Fusca Ventura. Os gastos mensais? Não passam de R$ 1 mil, segundo ele.

"Melhor do que ganhar dinheiro para bancar os custos é não ter custos."

O artista diz que vive na Kombi e gosta disso. "É meu estilo de vida. Eu troco isso por cuidar da chácara e não envolve dinheiro, o que obriga uma relação humana – o que eu acho muito mais interessante."

ACOMPANHE A CIA DA SORTE: Instagram | Facebook | Site

FONTE: G1 



Tecnologia do Blogger.